sábado, 14 de maio de 2011

A diferença entre saber o que é o amor e saber o que é ser amada...

Creio que a intensidade do primeiro amor seja única. Mas não acredito naquele velho e achavascado ditado: ‘Só amamos de verdade uma vez na vida’. Amar requer tempo. O amor pode consumir tanto a metade quanto uma parcela inteira do seu dia. Disse dia? Digo vida.

Pois bem. Ao primeiro de tudo e de todos esbanjamos benfeitorias. No sentido literal da palavra. Esbanjamos, acredite, no sentido literal também. Ainda não há a malícia para se desejar a reciprocidade. O simples ato de dar prazer, seja através de palavras ou gestos, traz a paz necessária para manter tudo em ordem dentro do peito. Ah... O início. Como brilha e faz ofuscar tudo ao redor, não?

Hoje, penso que o correto seria deixar todos aqueles inocentes aos poderes e sofrimentos do amor descobrirem tudo isso entre si; Seria mais justo. Seria mais bonito. Ou não, não há como prever. Não é bipolaridade. Assim foi o meu primeiro. Digo ‘assim’ querendo poder dizer ‘assado’. Amei, e nos primeiros meses poderia até predizer que era real. Mas nesse caso, o acaso não importa.

Depois do primeiro há o terceiro. Geralmente é assim. Disse geralmente. Não se encaixa para todos. O meu terceiro foi par. Foi par mesmo sendo ímpar. Foi par perfeito. Só aos 22 soube perceber quais eram as reais responsabilidades do amor. E isso, infelizmente, não implica em ter atitudes coerentes ou corretas. Depois do primeiro amor, da primeira decepção e da primeira lição, carregamos conosco toda uma bagagem de sentimentalismo e vícios. São vícios do amor. O comodismo é um deles e talvez o pior.

Só aos 22 anos de idade senti o que é ser amada. Digo sem medo. Lembro sem dor. Creio que dos 25 aos 30 não amarei de forma plena. Digo com dor. Sinto com medo. Mas na vida é assim. Hora carregamos bagagens que não trazem sentido nenhum ao amor advindo do próximo. Hora destruímos esse amor. Outrora catamos os cacos e o colocamos num pedestal. Praticamente tudo ao mesmo tempo e sem ordem fixa. Ou seja, traçamos a desordem em forma de sentimento. Injusto com o seu amor.

Me arrependo por ter carregado excesso de bagagens. E hoje pago por cada quilo excedente...

Não sei como é o amor. Não sei como amar...

Há praticamente uma década o amor bateu em minha porta. E, pela primeira vez, deixei o amor entrar. Com medo, claro. Receios e dúvidas. O novo sempre desperta os mais belos e loucos sentimentos que, aflorados pelo amor, te levam ao êxtase. Quer coisa melhor?

O primeiro amor é sempre, ou quase, pleno. É entrega mútua . Talvez seja delivery gratuito de uma das partes; Talvez seja os 10% pelo serviço vindo da outra. Tudo depende. Depende do comprometimento, lealdade, confiança – e todas aquelas balelas do amor. Afinal, o que é o amor? Afinal, quantas vezes podemos amar durante uma vida?

Sendo complexa, podemos amar inúmeras vezes durante uma vida. Amar platônicamente, amar descontrolavelmente,amar pacificamente, amar à distância, amar a presença, amar a saudade, amar. E, existe o amor mútuo e pleno, mais uma vez. Aquele que todos procuram. Uma espécie de alma gêmea do sentimentalismo onde toda forma de amor é válida.

Toda forma de amar e toda fórmula para o amor envolve, além do nosso fantástico eu, egocentrico ou não, o próximo. E, é geralmente no próximo que se confonta a idéia de amor.

‘Será que eu te amo mais do que você me ama?’

- De onde você tirou isso?

‘Não sei. Mas será ?’

Como já dizia Rita, amor é novela; Amor é Cristão; Amor é divino; Amor é bossa nova; o amor vem de nós e demora. A questão é, depois do primeiro grande amor, depois da primeira grande decepção, o que fazer para deixar esse sentimento perdurar com outro no seu coração?